Faculdade

Projeto Interdisciplinar: Criação do vestível

By  | 

A criação do vestível a partir das referências de pesquisa e painéis semânticos

Terminada a montagem dos painéis semânticos iniciamos a análise das imagens e pesquisa para a criação do vestível. A orientação foi clara, precisávamos retirar dos painéis os elementos formais e as cores que dariam vida aos croquis. No nosso caso, percebemos no painel imagético formas como os polígonos, que demonstram os estilhaços gerados pelo impacto da bomba e a desconstrução. Já do painel tridimensional, retiramos as circunferências concêntricas, um fenômeno que ocorre num ponto e tem seu impacto expandido, assim como a explosão de uma bomba.

Com as formas observadas e definidas, partimos para a escolha das cores. Esta etapa já estava concluída, pois desde o início da montagem dos painéis nós já havíamos definido a paleta de cores. Por conta disso, começamos a desenvolver outros pontos exigidos pela professora, as texturas, o volume , a silhueta/estudo ergonômico, os materiais, as experimentações têxteis e, finalmente, a proposta projetual do vestível.

Criação do vestível 1

Polígonos como estilhaços gerado pela explosão da bomba

Seguindo essa linha de desenvolvimento da professora, definimos duas texturas, a orgânica e a lisa. A orgânica seria padronizada com superfície maleável, flexível e rugosa, e estaria ligada ao espírito humano de instabilidade e insegurança. Já a lisa, que representa a ausência de aspereza, recorre ao momento o qual o homem se isola de qualquer influência externa.

Pensando nos volumes, observamos que eles eram chapados e também que teria a ausência deles. Inicialmente o metal, que remete a bomba e aos estilhaços, é chapado e após manipulação ganha características pontiagudas. E a ausência de volumes prevalece por conta do caimento que tem como objetivo não se encontrar com as curvas do corpo.

Em relação a silhueta, definimos que ela teria uma forma retangular/colunar, novamente, a fim de não marcar o corpo. Nas questões ergonômicas, observamos que a silhueta possui compatibilidade de movimento, conforto, adaptação aos diversos tipos de corpos, entre outros.

Criação do vestível 2

Cores definidas

Analisando todas essas questões, finalmente, começamos a definir os materiais que seriam usados. Além disso, fizemos experiências nos tecidos para adquirir novas texturas, pois era obrigatório segundo a normativa do projeto. Decidimos trabalhar com 3 tipos de tecido, o tricoline, o suede e o oxford. Como nessa altura do campeonato já tinhamos uma boa noção de como seria o produto, foi fácil definir o material, o único empecilho que tivemos nessa etapa foi a decisão do experimento têxtil.

Fizemos várias amostras, que também deveriam ser entregues a professora, até decidir pelo uso da tinta incolor. Utilizamos esse recurso de forma sutil, pois não tinhamos o objetivo de mudar totalmente a textura do tecido, mas o resultado foi interessante. Preenchemos de forma aleatória parte do material, formando desenhos de forma gradativa. Com essa “técnica” garantimos opacidade e aspecto denso nos pontos pintados.

Depois de analisar todos esses elementos retirados dos painéis, pensar em materiais que representassem todas as referências e planejar a forma que isso seria colocado no corpo, a professora trouxe mais um ponto para estudarmos: a referência histórica. Como é um projeto interdisciplinar, ou seja, agrega todas as matérias do semestre, tinhamos que estudar a silhueta de algum período que foi analisado nas aulas de História da Moda. Esse seria outro ponto importante para criação do vestível e definição da silhueta.

Estudamos alguns períodos, analisamos nossas referências e público alvo, e decidimos trabalhar com um dos grandes ícones da moda no século XX, Coco Chanel. Ela mudou completamente a silhueta, o guarda-roupa, o comportamento feminino e se tornou forte referência da época. Além disso, o período que ela ascendeu na moda, coincide com as guerras mundiais, evento base de nossa pesquisa. No entanto, não foi apenas a guerra e todo esse período que se encaixava perfeitamente com a nossa proposta, mas também as mudanças que as guerras trouxeram a vida e comportamento da mulher na sociedade.

Moda e feminismo - 1

Coco Chanel

A questão da mudança do papel da mulher na sociedade, se interliga diretamente com a proposta de público alvo. Lembrando que nosso público são jovens do gênero feminino empoderadas que são reflexo das conquistas de suas antepassadas. São mulheres que trabalham, são ativas econômica e politicamente e são independentes, possuindo liberdade e flexibilidade para escolher sua profissão e várias outras questões antes manipuladas pela sociedade; sentindo os impactos das mudanças que tornam-se reflexo dessa efemeridade para sempre se reinventar.

Tudo no projeto foi se encaixando, a professora dizia o que devia ser feito e nós trazíamos soluções e justificativas que montavam esse quebra-cabeça de ideias. Essa foi uma das etapas mais densas (além da confecção e criação do vestível de fato) que necessitou de muita pesquisa, observação e anotação para juntar tudo que queríamos expressar nesse produto.

Está curios@ para saber como ficaram os croquis? Continue acompanhando os textos, confira os anteriores e deixe seu comentário!